terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os cavalinhos de Platiplanto - José J. Veiga



Os cavalinhos de Platiplanto

A história é narrada por um adulto que conta episódios da sua vida durante a infância. Apesar de ser uma narração de fatos, a história toma um rumo fantasioso, levando em consideração a imaginação da criança.

Um garoto machuca o seu pé ao brincar. Seu avô, por quem tinha muito apreço, tenta ajudá-lo no curativo. Com medo de sentir dor, o garoto não deixa, mas é convencido com uma proposta feita pelo avô: caso ele deixasse fazer o curativo, ganharia um cavalinho para que acompanhasse a folia da Festa do Divino, que tanto gostava. Logo, assim o deixou. Mesmo o pé ainda estando inchado ele não parava de sonhar com o cavalinho que o avô lhe daria. Mas o homem adoece, e a criança recebe a notícia de que ele nunca mais voltaria consequentemente, seu tão sonhado cavalinho também não. Chateado, ele resolve ir visitar uma fazenda perto de onde morava. No caminho encontra situações estranhas. Um homem para e lhe pede ajuda para construir uma ponte, que a faz com muito gosto; Encontra um menino no caminho que estava tocando bandolim, para e o escuta tocar, depois vai embora seguindo caminho da fazenda. Chegando na fazenda a criança conversa com o seu morador que lhe informa que naquele local ele poderia ver os cavalinhos, dos mesmos que seu avô havia falado que lhe daria. Depara-se com uma arquibancada que estava ocupada por muitas pessoas e uma arena, onde se encontrava os cavalos, sendo estes todos coloridos. Os animais pulavam, dançavam, fizeram um verdadeiro espetáculo, que deixou a criança cada vez mais encantada. Ao final do espetáculo, o menino é informado que poderá ficar com todos aqueles cavalos, pedido esse feito pelo seu avô, que estava cumprindo sua promessa, porém aqueles animais não podem sair daquela fazenda, pois eles só existem lá, em Platiplanto.

Após esse episódio o menino cai em si e percebe que estava sonhando, e prefere não contar a ninguém o que acontecera, já que as pessoas poderiam rir dele, e assim ele poderia voltar àquele lugar quando quisesse.

Mesmo que seja uma história com um ponto de vista de uma criança, o conto não é tão infantil quanto parece. A criança consegue lidar com a situação de que seu avô que tanto ama, não voltaria mais, e que seu presente também não. Com alguns pensamentos essa criança consegue tomar decisões e ir atrás do que deseja.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Seleção de Obras Poéticas - Gregório de Matos


O que é?
"O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral."







(Gregório de Matos)


Seleção de Obras Poéticas do escritor Gregório de Matos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Definitivo - Carlos Drummond de Andrade

Definitivo

Carlos Drummond de Andrade

Definitivo, como tudo o que é simples. 
Nossa dor não advém das coisas vividas, 
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. 

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos 
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções 
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado 
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter 
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que 
gostaríamos de ter compartilhado, 
e não compartilhamos. 
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. 

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas 
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um 
amigo, para nadar, para namorar. 

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os 
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas 
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. 

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. 

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo 
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, 
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. 

Por que sofremos tanto por amor? 
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma 
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez 
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz. 

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um 
verso: 

Se iludindo menos e vivendo mais!!! 
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida 
está no amor que não damos, nas forças que não usamos, 
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do 
sofrimento,perdemos também a felicidade. 

A dor é inevitável. 
O sofrimento é opcional...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sousândrade

Sousândrade (1833 - 1902) 



Joaquim de Souza Andrade (Alcântara MA 1832 - São Luís MA 1902). Poeta e professor. Realiza seus primeiros estudos em São Luís e, em 1853, viaja para Paris para fazer o curso de letras na Sorbonne. Seus biógrafos acreditam que também fez o curso de engenharia de minas na mesma universidade. Após conhecer vários países da Europa, retorna a São Luís e, em 1858, lança seu primeiro livro de poesia, Harpas Selvagens, no Rio de Janeiro. 


Em 1870 viaja pela Amazônia e pela América andina em barcos e por trilhas na selva. Na volta, acompanha sua filha aos Estados Unidos, onde faz questão que ela estude, por ser republicano convicto. Passa 14 anos em Nova York, e escreve para o jornal republicano O Novo Mundo, publicado em português por José Carlos Rodrigues (1844 - 1923). Ainda nos Estados Unidos, escreve e publica sua obra principal, O Guesa Errante. Volta a São Luís em 1886, dá aulas de grego e faz proselitismo republicano. Ganha fama de excêntrico, sua ruína financeira avança e é abandonado pela esposa e pela filha, vivendo de maneira cada vez mais precária, sendo considerado louco por boa parte da população de São Luís. Sua última aparição pública se dá em 1899, numa saudação ao romancista Coelho Neto (1864 - 1934), em visita à capital maranhense.

Para os parâmetros românticos, as poesias de Sousândrade são revolucionárias, pois demonstra preocupações com as questões sociais e, por esse motivo, aproxima-se da terceira geração romântica. Seus versos são repletos de um vocabulário diferenciado com termos indígenas, neologismos e palavras inglesas.